A morte simbólica da criança

Para a busca do autoconhecimento, o primeiro grande desafio de qualquer pessoa é o da mudança entre o estado infantil (imaturo) e o adulto. O que vemos, muitas vezes, é que crescer fisicamente e envelhecer, não necessariamente significam crescer mental e psiquicamente. Somos muitas vezes crianças em um corpo adulto. O romper entre esses dois estados vai além do corpo físico e da idade, não é o tempo que amadurece uma pessoa, pois cada pessoa tem um relógio interno, cada qual a seu tempo. O que realmente amadurece alguém é reconhecer a criança que ainda vive dentro de si, que precisa amadurecer para que o adulto, na forma mais ampla desta palavra, possa vir à tona.

Sem essa “morte simbólica” da criança interna, não poderemos amadurecer. E para o autoconhecimento, esse primeiro passo é essencial. E como toda a morte, o segundo passo será o luto. O luto é o período que separa tudo o que fomos e o que estamos nos tornando, a busca de nossa individualidade advém de uma morte simbólica, por isso, é tão dolorido seguir esse caminho do autoconhecimento, e muitos de nós prefere viver na obscuridade deste conhecimento. Porém, estará sempre em busca de algo “sem nome”, esse algo sem nome é a ânsia (também pode ser entendido como medo) de se libertar do velho para o renascimento da nova pessoa que você se tornará.

A história que se segue abaixo foi atribuída a filósofa Márcia Tiburi e faz uma analogia, muito simples e coloquial, porém profunda, sobre os ciclos que uma pessoa precisaria passar para se tornar um adulto – mental e psiquicamente falando – baseando-se no conto de Branca de Neve. Serve para um momento de reflexão.

Branca de Neve
(Texto atribuído a Márcia Tiburi, coletado através do vídeo abaixo encontrado no Youtube).



Cada um, homem, mulher ou além, têm dentro de si uma Branca de Neve. E seus sete pecados. Pequenos ciclos da vida psíquica em que cada um nasce, cresce e morre.

01 A inocência (a sonsa)
Ela não quer ver, nem deixar ver. Ela não sabe da ordem do mundo, das guerras, das dores, sofrimento, corrupção. Toda a sorte de maldade. E ela reina sobre seu país de tontos: Eu não sabia. Ela foge do príncipe que depois a capturará para sempre, por pura preguiça moral, escava o próprio túmulo.

02 Narcisismo (a que se acha)
Ela é boa e má. Se ama enquanto se odeia, no espelho ela procura a beleza encontrando a feiúra. É a princesa que vê a bruxa, a bruxa que é a princesa. Quem sou eu se sou o outro? Uma quando nenhuma?

03 Passividade (a conduzida)
A que se deixa levar para que não tenha que tomar providências. Não é livre, nem escolhe fugir ou ficar. Confia em qualquer um, submersa que está em seu paraíso perdido. Reino do narcisismo quando o mundo foi feito para lhe servir, e ela se deixa conduzir.

04 Auto-comiseração (a pobrezinha)
A criança que espera encontrar satisfação, desejo realizado pelo choro, magia que alia mulheres a fraqueza e a infantilidade. Dou-lhe a mão? Acendo a lâmpada no escuro.

05 Subserviência (a que vive para agradar)
A mesma que serve aos desconhecidos, é a que se aproveita dos mais próximos. A mesma que seduz é a que manda. A que serve é a que espera lucrar. A que não faz nada sem esperar retorno.

06 Inconsequência (a cega)
Por não querer ver, ela confia em todos. E para nunca desagradar, ela aceita o que lhe dão. O narcisismo barato como uma mercadoria, para não trair seu espelho, para que ele não lhe diga a verdade, ela aceita o fruto, o resultado.

07 Burrice (a morta)
Ela, a bela, a pobrezinha, a servil, a passiva, a tonta, a sonsa, a inconsequente paga o preço de sua burrice. Sendo incapaz de resistir a maçã, esquecida de seu destino de Adão de saias. Ela é expulsa do paraíso, perdeu sua inocência e pagou com a morte. Uma morte simbólica muito especial.

E aqui termina a nossa história, cada um tem sua maçã envenenada. Fruto da árvore do conhecimento do Bem e do Mal. É por ela que se morre como o espelho de narciso.[fim]

Abraço fraterno,

Equipe Portal Esotérico

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Comentários (3)

  • Fabiola Ct, campinas Denunciar

    acheio texto muito superficial

  • Denunciar

    aceitar a morte e aceitar a vida

  • GRACIA MARLENE SIQUEIRA DINIZ Denunciar

    muito interessante esta analogia com o conto de Branca de Neves. É util para que possamos aprender a fazer uma auto analise. Recomendo este texto nos trabalhos de autoconhecimento

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