Karatê-dô

Neste mês de Julho, comecei a praticar Karatê-do (que significa “caminho da mão vazia”) por se tratar de uma arte marcial sem armas. Eu estava querendo fazer algo novo e, apesar de não querer “lutar” literalmente falando, descobri que o karatê-do é muito mais que uma arte marcial, é uma filosofia de vida.

Todos os movimentos do karatê-do possuem uma história, e o mais importante, descobri ser possível usar o que se aprende para nossa vida cotidiana. Não no sentido de usar os movimentos e golpes, mas no sentido do controle de nosso próprio corpo e mente.

Ao iniciar a aula deste dia, conversei com o meu Sensei, forma de designar nosso mestre, que eu não gostaria de lutar quando chegasse o momento. Ele disse que isso é uma opção minha, mas que seria vista com o tempo, mas estranhou esse questionamento tão cedo. Era minha segunda aula e eu já estava com receio de lutar?

Após os primeiros movimentos da aula, ele me colocou para praticá-los com um colega, e eu confesso que não me senti a vontade e falei para ele. Ele disse que eu deveria me esforçar, pois não era uma luta, e sim uma simulação para melhorar os movimentos aprendidos. Na realidade, depois eu pensei se era a vergonha de errar ou se era uma “fuga” para tentar evitar situações deste tipo, pois era uma nova situação que eu vivia e tudo o que é novo é estranho.

Apesar do desconforto, passei a tentar me concentrar, mas sempre errava, e me cobrava muito. Mas fui até o fim. Após o treinamento, o Sensei me explicou uma coisa: “- A criança, quando está começando a andar, não consegue andar logo na primeira tentativa. Ela deve tentar e tentar, até que um dia, ela consegue. E então, ela apenas assimila e nunca mais necessitará aprender a andar de novo, não há volta quando se aprende. E por isso, o treino é tão importante.”

Mesmo que essas palavras fossem voltadas para a prática do Karatê, com uma grande facilidade se pode expressar tal lição para tudo em nossa vida. Para tudo é preciso treino, e como eu passei a vida com um tipo de comportamento de fuga, agora é o momento de enfrentar, descobrir do que eu sou capaz e quebrar meus próprios limites. Eu já havia me limitado a não lutar antes de começar a aula, e quantas e quantas vezes eu já me limitei na vida? Quantas barreiras eu mesma erigi diante de mim?

A vida, nosso mestre maior, quando quer nos ensinar alguma coisa, ela não tem pressa. Poderemos passar anos vivendo uma mesma situação, fazendo os mesmos comportamentos e, obviamente, vivendo as mesmas coisas pelo medo de enfrentar algo novo. Bom, eu acho que, relembrando aquilo que eu vivi, eu quero dar um basta e esse é o momento.

Pense se você também não está colocando barreiras em sua vida, e não as enfrenta como gostaria ou desiste logo na primeira falha. Está na hora de dar novos passos!

Domo arigato (muito obrigada)

Bete Lima
Equipe Portal Esotérico

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