O Caminho

No decorrer de nossa existência nos deparamos com duas possíveis vias de acesso a alcançar sabedoria, tranqüilidade e paz. Esses caminhos são: pela razão ou pelo coração, sempre optamos por um ou outro, mas a verdade é que precisamos equilibrar os dois em nós, mas a maioria das vezes dualiza-se a razão e o sentimento.

Ao agir só pela razão, cria-se um escudo intransponível, nos tornamos muito lógicos e racionais, seguros de si, mas podemos nos tornar calculistas, frios e distante, essa atitude endurece a personalidade e faz com que as pessoas se tornem cínicas, vazias, críticas e contra o mundo.
Por outro lado ao agir somente pelo coração, seremos muito sensíveis, piedosos, prontos a ajudar a todos, muito humanitários, mas podemos nos tornar joguete nas mãos de pessoas menos escrupulosas, ajudar pessoas que não merecem tanto assim, e sermos usados para fins não tão nobres, nos tornamos sofredores do mundo e agimos até com certo exagero, sem compreensão da obra e do propósito da criação divina.

Mas a verdade, é que através do coração o ser humano atinge o crescimento pessoal, a sua essência, sua liberdade e maturidade. Portanto é necessário passar por um aprendizado e provas, que avaliarão em que estágio evolutivo ele se encontra, se obtiver a compreensão do que está passando sem se desesperar, sem entrar no problema, mas sim observar para entender, então estará apto a passar para um outro estágio evolutivo com mais consciência e menos dor.

Caso este, não assimile o aprendizado, terá que repetir a prova, isto é passar novamente por experiências dolorosas até que se tome consciência do problema e passe a se observar sobre uma outra perspectiva, transformando o sofrimento, que assim deixa de ser um Karma para se tornar um Dharma (caminho), de aprendizado para atingir uma existência mais feliz, ou pelo menos a melhor possível dentro do estágio evolutivo de cada um.

É as experiências do coração, que nos modifica e as que tem um efeito catalizador sobre nós, purificando a nossa alma, queimando nosso orgulho, nossas vaidades, nos faz ser mais humilde nos ensina a ter compaixão, pois para atingirmos o amor que é aquilo o para quê e o porquê do homem existir é preciso despertar o coração.

O coração passa por várias provas, às vezes fica indeciso se virando de um lado para outro, outras vezes perde o sabor, é bem melhor um coração doce do que azedo ou amargo, outras vezes fica intolerante as vezes arrasado e contrariado.

Como toda a lição temos que estudar para alguma prova, devemos decorar os ensinamentos. Decorar em latin significa cor, cordis = coração, isto é devemos imprimir em nosso coração as experiências que passamos mesmos as ruins devem ser assimiladas por nós, só assim somos capazes de entender o real significado daquelas e, transmutar a dor como fator limitador opressivo, em expansão grandeza de coração e nobreza de sentimentos.

O coração tem inteligência seu nome, intuição, que na maioria das vezes sabe mais do que a razão. Sábio Pascal quando nos alertou que. “O coração tem razão que a própria razão desconhece”.
Se pergunte. Como anda meu coração? Tenho dado importância devida a ele? Ele se posiciona no meio do peito, abertura para o mundo, para encarar a vida, para doar à vida, para receber da vida. Então seja mais coração, ame mais, chore mais, sinta mais.

Miriam Cristina

Filósofa

miriamzarst@yahoo.com.br

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