Nosso destino é uma probabilidade

Não querer viver já é um viver, isto é o não viver é querer viver uma vida melhor e mais satisfatória que a vivida até o momento, é querer viver quando não te deixam viver. A pergunta que se impõe é. O que é a vida?

A vida é uma probabilidade, apesar de que parafraseando Einstein: "Deus não jogar dados", ao nascermos temos a probabilidade de sermos saudáveis ou não, na doença de se curar ou não, de ser isso ou aquilo, temos potenciais adormecidos esperando ser despertados e temos insuficiências, isto é carências e até mesmo deficiências a serem superadas ou suprimidas de nossa estrutura, física ou mental.

Dessa equação potencial x carência, construímos nossa subjetividade, nossa identidade, ou seja, nossa personalidade, aquilo que somos ou seremos no decorrer da existência.

Também é a resultante de nossas escolhas, é dizer que “somos o que escolhemos”, pois poderíamos ser isto ou aquilo, mas verdade é aquilo que podemos ser, pois quando sou não sou sozinho.

Como disse Ortega Y Gasset “Eu sou eu e minhas circunstâncias”, é dizer que eu sou aquilo que me circunda: eu sou minha mãe, meu pai, meu amigo (a), meu namorado (a), meu marido, minha esposa, etc. Como cada ser humano é um pequeno mundo, eu sou o mundo que me rodeia.

Durante o caminho percorremos todas as instâncias de emoções existentes, temos medo, esperança, dor, amor, raiva, alegrias, tristezas, ódio, desespero, paixão, depressão, sofrimento, etc., nos equilibramos e nos desequilibramos, são governados por nosso sentimento. “Somos o que sentimos”. Nascemos para amar não para logicizar, e o sentimento é uma determinante para nosso bem ou mau viver.

Nossa complexidade interior nos mergulha num mar caótico de sentimentos difusos, matizados de cores às vezes suaves, doces e amenas outras intensas fortes e fatais, tudo isso expresso em palavras algumas claras outras obscuras, pois sentimento não se fala se sente, isto é quando falo eu nunca vou conseguir expressar totalmente aquilo que sinto.

Viver é uma incerteza, vidas podem ser modificadas para o bem ou para o mal, a qualquer instante. O homem pode empreender um vôo cego rumo a um mundo desconhecido com suas causas e efeitos sobre nossa existência, sob a qual não temos nenhum controle. Apesar de tentarmos controlar nosso destino, ou fugirmos dele, como nos mostra Édipo, sempre ele nos encontra.

Vivemos em condições inóspitas e adversas uma gota d’água pode nos matar, o ar é poluído tóxico, mas respiramos isto vivemos respirar é vida.

Para uns a vida é um enigma, outros um milagre, mas ela simplesmente é aquilo que cada um faz dela, ela provoca em nós sempre uma pergunta, mas no final é ela mesma quem dá a resposta, seja através da felicidade ou da provação.

Já dizia Sócrates, “Uma vida sem reflexão não merece ser vivida”. Viver é encontrar um sentido, para isto é preciso refletir, sem o qual o homem perde sua própria experiência de vida.

A vida não faz sentido quando não há reflexão, pois sem isso vivemos na incapacidade de compreender e interpretar o que ocorre em nossas próprias vidas, e isso nos leva a doenças existenciais. O que me faz repetir Píndáro: “Torna-te aquilo que tu és”.

Miriam Cristina

Filósofa

miriamzarst@yahoo.com.br

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