É amor ou tábua de salvação?

Uma vez me apaixonei. Por um homem maravilhoso. Ele era rico, bonitão, inteligente e trabalhava numa área que eu achava fascinante. Só ficou numa paquera, não chegou a rolar nada. Mas eu ia para casa pensando sempre “Meu Deus, que homem é esse?”. Imaginando como seria a nossa vida juntos.

Nos meus sonhos ele compraria um bom apartamento, já que era rico e eu estava, digamos, passando por uma fase “complicada”. Eu poderia começar a pensar nas viagens que faríamos. Sempre quis conhecer Nova York, Japão, Taiti. Isso, nossa lua de mel poderia mesmo ser no Taiti. E filhos? Bom, eu nunca quis, mas poxa, se ele quisesse eu bem teria um. Só um, para poder carregar mundo afora.

Eu nunca mais me sentiria sozinha. Ele iria ler meus pensamentos, saberia cada pequena coisa que eu pensasse. Faríamos amor loucamente em algumas noites e em outra só assistiríamos filmes românticos sentado à beira de uma lareira quentinha. Eu poderia aproveitar, que precisaria parar de trabalhar (afinal de contas eu precisara viajar com frequência, cuidar da criança e tudo mais) e passar uma boa temporada num spa para acabar de vez com meus problemas com a balança. Ou talvez ele pudesse pagar uma ou duas lipoaspirações para eu ficar sempre linda para ele. Isso sim, seria o “felizes para sempre” que eu sempre sonhei. Nunca mais ter problemas, nunca mais solidão, nunca mais as preocupações com o meu trabalho. E, claro, nunca mais uma vida.

Estou o lendo o livro da CEO do Facebook, Sheryl Sandberg, uma das mulheres mais poderosas no mundo coorporativo. Ela é casada, tem filhos, mas mesmo assim não abriu mão de ter uma vida própria e seus próprios sonhos. Ela fala de toda a cultura de massa que ainda coloca a mulher como alguém que deve se submeter, ao seu homem ou à uma empresa. Ela mesma disse que, quando estava grávida, nem pensou na possibilidade de fazerem uma vaga exclusiva para grávidas, mais perto da entrada das empresas (e sim, se elas existem hoje foi por causa dela).

Ela fala coisas que eu concordo em número, gênero e grau. Que ainda estamos presas demais a um sonho, a uma coisa que alguém de fora virá nos salvar. Quantas mulheres que você conhece sonham, desde criancinhas, com uma carreira de alta executiva? Poucas. E as que sonham acabam mesmo (estatisticamente) desistindo no meio. Não só porque ainda acreditam na bobajada que nos foi enfiada goela abaixo, mas porque se vê presa nos desafios profissionais de uma maneira complicada.

Não tem onde amamentar seu filho. Eles “precisam” de horas extras infinitas e não podem te deixar sair mais cedo. O salário é menor, as mulheres tem menos chances de alcançar altos cargos e, a pior de todas, são sempre vistas como as barangas, mal amadas e qualquer coisa que o valha, não só pelos homens, mas pelas outras mulheres também.

Ou seja, é complicado você se apaixonar e não pensar que aquele homem (que tem mais chances que você) não possa te salvar a cuidar de você e da sua vida. É complicado não pensar nele como um homem, mas como uma tábua de salvação.

Não sou o contra o amor. Muitíssimo pelo contrário. Sou a favor de sermos felizes como cara que a gente escolher (ou a mulher e todos os vice-versas possíveis) e sim, porque não, termos uma família se esse é o nosso sonho, se isso nos realizar. Sou a favor de você perguntar no fundo da sua alma se é aquilo mesmo que você quer porque, quando fizer as suas escolhas, voltar atrás fica muito complicado. Sou a favor de ter alguém que seja seu parceiro de vida, com quem você possa dividir a parte boa e a parte ruim que todo mundo tem que passar. Mas não da maneira como alguma mulheres ainda fazem.

O que a faria feliz de verdade, no fundo da alma? Vejo mulheres sem a menor vocação para mãe que insistem nisso porque “precisam ter tudo”. Não se tocam que ter tudo não tem nada a ver com um manual qualquer que você leu na revista Nova nos anos 90, tem a ver com o que a sua alma quer. Com o tipo de vida que você quer levar no seu dia a dia. Cada vez que você acordar de manhã e pensar “Ok, lá vamos nós de novo”.

E se for ser uma comerciante de sardinha solteira ou uma alta executiva ou uma mãe de família seja! Assuma quem você é! Tenha uma vida que é sua!! Tenha experiências que são só suas e não vão depender de nada para acontecer. Sim, você pode se casar com um homem rico e decidirem, de comum acordo, que você cuida das crianças. Mas se pergunte se, quando fechar os olhos pela última vez na sua vida, vai estar realizada ou arrependida. E faça as coisas por você. Só por você.

Amor não é dependência. Abrir mão de algumas coisas sempre acontece, mas abrir mão de quem você é por outra pessoa é a pior roubada da história da humanidade. Sempre vai deixar um vazio, mais cedo ou mais tarde, que nada no mundo vai preencher. E aí pode ter viagem, filho, o que for, nada de realização.

Sim, é um pouco revoltante ver algumas coisas. Mas estou aprendendo que cada um tem as suas escolhas. Espero estar fazendo a certa (e sinto isso no meu coração) mas estou completamente fora das histórias da Disney (sorry!). Quero ser feliz sim, de verdade, e dentro dela incondicionalmente. Amém!

Assistam o vídeo: Vídeo

Andrea Pavlovitsch
http://diadediva.blogspot.com
@dekapavlovitsch

Livro: Cá... entre nós

Colaboradora do Portal Esotérico: Andrea Pavlovitsch é psicoterapeuta, numeróloga e escritora. Para informações sobre atendimentos e para receber artigos pelo e-mail contate andreapavlovitsch@gmail.com

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