A verdade está no sentir

Ontem assisti, pela primeira vez, um filme muito interessante. “Rede Social” conta a história de um rapaz que cria uma mega potência da internet de todos os tempos, o “tal” do Facebook. Um rapaz com sérias dificuldades de relacionamento,que perde a namorada por não saber lidar com as próprias emoções. Isso aliado a uma inteligência fora do comum e oportunidades como estar em Harvard (no lugar certo, na hora certa).

O Facebook foi fruto de uma noite bêbado, em frente ao computador. Ele decide se vingar do fora que ele tomou acessando sites de “livros de fotos” (facebook) de irmandades da própria universidade e comparando (dando nota) às mulheres. Incluindo a ex-namorada. A famosa vingança de dor de cotovelo pela qual todo mundo já passou antes. Mas, claro, ele pegou bem pesado.

Ao longo do filme vão se confirmando as teorias de que ele, de fato, não sabe lidar com as próprias emoções. Mergulha no trabalho e no projeto do Facebook com uma incrível dedicação (típicas de quem precisa esconder algo de si mesmo). Acaba por trair os melhores amigos, vira aquele tipo de ser humano que ninguém quer ter por perto. E no final do filme, sozinho numa sala e sendo processado por todo mundo que ele conheceu na época, acessa a página da tal ex-namorada e pede para ser adicionado.

Esse filme me mostrou uma coisa que, eu já sabia, mas que não tinha visto um exemplo tão claro: as pessoas só querem se sentir bem. No momento da rejeição da namorada, no momento da solidão e não conseguindo entrar em contato com a dor que isso causa, ele tornou-se “esquizoide”. Este é um termo para as pessoas que são especialistas em fugir da própria dor, mesmo das pequenas coisas que incomodam, por não saberem lidar com elas. E nos tempos de nerdices e excesso de computadores e informações, parece que fica até mais fácil fugir do que se sente.

Todo mundo é muito simples. E não gostamos muito de saber isso! Queremos ser especiais, seres evoluídos que não sentem inveja, ciúmes, medo e nenhuma destas “pequenas emoções humanas”. É preferível estar conectado com o resto do mundo do que com meus próprios sentimentos. Assim, vão se criando cortinas de fumaça num movimento de “está tudo bem”, quando não está. Só para esconder a nossa sensibilidade e nosso incrível desejo de ser amado.

Ele só queria isso: ser amado e ser aceito. E se a tal ex-namorada tivesse dado isso para ele, tivesse sido compreensiva (não sei) e entendido porque ele soltava suas farpas para elas, talvez o Facebook nunca tivesse sido inventado. De fato,alguns males vem para o bem. Mas viver fugindo dos próprios sentimentos não costuma levar a lugares tão nobre e nem a ações tão sublimadas assim.

Para a maioria das pessoas ela gera só uma sequência interminável de fugas. Comer demais (ou de menos), beber, jogar, usar drogas. Tornar-se um workaholic, um viciado em exercícios ou comida natural. Estudar dias e horas à fio. Mergulhar na espiritualidade e meditar o dia todo. Não sei. O que será que você usa para fugir? O que será que eu uso para fugir?

Para ser bem sincera sim, eu sei. E sou sensível a ponto de não conseguir manter nada incomodando por muito tempo (e meus amigos sabem disso e devem me achar uma chata). Aprendi com a vida a não ignorar o que eu sinto aqui dentro, a não deixar que isso se torne uma doença, um medo, uma paranóia. Não que isso seja fácil e não que eu consiga isso o tempo todo, mas a verdade é que sempre sabemos.

Sabe aquela coisa que acontece quando você descobre um segredo de alguém e pensa: eu sabia? É mais ou menos isso que são os nossos insights. São maneira que o nosso inconsciente tem de mandar as mensagens que precisamos ouvir. Um sonho, uma mania, uma doença e até as brincadeiras que fazemos, tudo isso conta quem nós somos de verdade e o que sentimos e estamos fugindo. Outro dia mesmo flagrei uma pequena crise de ciúmes de uma amiga que, se você perguntar, vai jurar de pés juntos que não sentiu nada disso. Perceber isso nas outras pessoas pode parecer mais fácil num primeiro momento, mas o melhor mesmo é sempre observar em nós mesmos.

De novo a minha frase preferida (e que em breve vai virar uma tatuagem minha) : Orai e vigiai! Quando sentir, simplesmente sinta. Pergunte a si mesmo o que é aquilo, de onde vem. Quando perguntamos pra nossa sombra ela sempre responde. Basta ter ouvidos de ouvir e olhos de ver. Feche os olhos, agora mesmo, e se pergunte o que tem incomodado. Deixe a resposta fluir da sua cabeça, do seu peito ou em qualquer outro lugar do seu corpo. Deixe o sentimento vir à tona, sinta. Doa. Cure. Não existe cura sem remédios e internações. Não existem sentimentos sendo curados se não for pela consciência.

Andrea Pavlovitsch
http://diadediva.blogspot.com
@dekapavlovitsch

Colaboradora do Portal Esotérico: Andrea Pavlovitsch é psicoterapeuta, numeróloga e escritora. Para informações sobre atendimentos e para receber artigos pelo e-mail contate andreapavlovitsch@gmail.com

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